Foto: Bruna Haddad; Laura Dicker e Leticia Duval/divulgação

O cereal matinal vive um paradoxo curioso. Nunca se vendeu tão pouco no café da manhã e, ao mesmo tempo, nunca esteve tão presente nas vitrines de confeitaria.

Do lado do declínio, os números são claros. Nos EUA, as vendas de cereal caem há pelo menos 25 anos.

  • Só nos últimos anos, os americanos passaram de quase 2,5 bilhões de caixas compradas por ano para 2,1 bilhões — uma queda de mais de 13%.

Os motivos você já conhece: excesso de açúcar, corantes artificiais na mira do consumidor e a busca por rótulos mais limpos.

O símbolo dessa derrocada foi a venda da WK Kellogg, dona de marcas históricas como Sucrilhos e Froot Loops, para o grupo italiano Ferrero.

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Só que enquanto o cereal perdia espaço na tigela, ele encontrou um novo lar: a confeitaria.

Caramelizado, triturado ou incorporado a cremes, o sucrilhos virou matéria-prima de brownies, cheesecakes, pavlovas, brigadeiros e trufas em confeitarias autorais pelo Brasil.

Depois do pistache e do morango do amor, ele é o ingrediente da vez.

E o motivo vai além da crocância. Nas palavras dos próprios confeiteiros, o ingrediente mais valioso ali é a memória. O sabor do leite que sobrava na tigela é uma lembrança que quase todo mundo carrega da infância.

A inspiração vem de fora: a americana Christina Tosi, do Milk Bar de Nova York, ficou famosa transformando o "cereal milk" em sorvetes e sobremesas.

Ou seja, o cereal foi rejeitado no café da manhã por não ser saudável, e voltou abraçando de vez o lado sobremesa. Faz sentido, afinal, ele sempre foi mais doce do que saudável.

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Vale lembrar que essas criações não têm nada de leves, e nem se propõem a isso.

Mas o ingrediente central tem uma versão que a gente gosta por aqui: o floco de milho sem açúcar. Mesma crocância, mesmo sabor de milho tostado, mas sem a carga de açúcar e corantes do cereal tradicional.

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