
Foto: Locale Caffè / Marcella Soares
Imagine um lugar com DJ tocando música eletrônica, gente dançando, conversando, se conhecendo. Só que são 10 da manhã, e nas mãos, em vez de cerveja ou drink, tem xícara de café.
Isso é uma coffee party. E ela está tomando o lugar da balada.
Por que as pessoas estão trocando a noite pelo dia?
A resposta começa no álcool. 64% dos adultos brasileiros afirmaram não consumir álcool em 2025, contra 55% em 2023, com a queda mais forte entre os jovens de 18 a 24 anos.
Menos álcool significa menos motivo pra sair de madrugada.
E o resultado é global. No Reino Unido, o número de baladas caiu pela metade desde 2013. Nos EUA, cafeterias de Nova York e Miami viraram pistas de dança diurnas, com DJ, matcha e até banho de gelo entre uma música e outra.
E no Brasil? ☕
As coffee parties chegaram em 2025 e cresceram rápido. Em São Paulo, cafeterias como Mula Coffee, Biscoitê e 1851 Laundry Coffee fazem as suas.
A The Coffee Beats começou numa praça com meia dúzia de amigos, foi a 300 pessoas na segunda edição e 1.200 na terceira.
Até a Starbucks entrou na onda, com uma coffee party na Haddock Lobo em parceria com a Farm.
O público é majoritariamente de 18 a 24 anos, e o motivo vai além de não beber. Como resumiu Pedro Borin, dono da 1851 Laundry Coffee: era o momento de trocar a noite pelo dia, o álcool pelo café, e conversas rasas por conversas mais profundas.
Os bares perceberam
Quem ainda quer sair à noite também mudou o pedido. Casas premiadas de São Paulo, como o Tan Tan e o Guilhotina, criaram cartas inteiras de drinks sem álcool, com gin sem álcool, chás extraídos a frio, kombucha e a mesma técnica dos alcoólicos.
No fim, as pessoas não pararam de sair de casa. Mas mudaram o horário e o que vai dentro do copo. E os bares e cafeterias que entenderam isso primeiro já se adaptaram.
