
Bom dia!
"Café especial" já foi coisa de barista. Hoje aparece em embalagem de supermercado, no cardápio da padaria e até em ranking internacional, onde o Brasil acabou de emplacar 12 cafeterias. Essa categoria nunca esteve tão em alta.


O café especial saiu do nicho

Imagens: ICCA Dubai, Happy Goat Coffee Company | Reprodução
Se antes o termo "café especial" só fazia parte do vocabulário de sommeliers e grandes apreciadores de café, agora está na boca até de quem quer um cafezinho na padaria da esquina.
Pra entender o que mudou, vale saber que café tem categoria oficial no Brasil. Essas são as classificações:
Tradicional e extraforte: o café de supermercado. Mistura de grãos arábica e conilon, torrado escuro pra uniformizar o sabor (e esconder defeito do grão).
Superior: um degrau acima. Grãos de melhor qualidade, com torra média que preserva mais o sabor.
Gourmet: 100% arábica, sem defeitos graves, torra mais cuidadosa. É o topo da classificação comum da indústria.
Especial: grão arábica sem defeitos, rastreável até a fazenda, que recebe 80 pontos ou mais numa escala de 100, na avaliação de provadores certificados.
A diferença não é só de preço. É de sabor. Um especial bem torrado tem acidez, doçura e notas que lembram fruta, chocolate ou caramelo, sem precisar de açúcar pra ficar bom.
O que está acontecendo
O número de cafés certificados como especiais mais que quadruplicou nos últimos anos. Ainda representa só 1% do volume vendido no varejo, mas a categoria premium cresce cerca de 15% ao ano, contra 3,5% do café tradicional. É o segmento que mais cresce dentro da bebida mais consumida do país.
Quem puxa isso é uma geração que aprendeu café pela internet. Perfis de baristas e torrefadores ensinando a passar coado, comparar moagens e identificar notas de sabor viraram categoria de conteúdo no Instagram e no TikTok.
Do outro lado, surgiram as microtorrefações: pequenas empresas que compram lotes direto de produtores, torram em pequena escala e vendem com nome da fazenda na embalagem.
E a indústria seguiu. A 3 Corações, maior empresa de café do país, lançou a linha Rituais 85+, com cafés a partir de 85 pontos vendidos em supermercado por menos de R$ 30. A Nescafé criou a Origens do Brasil, com grãos de regiões nomeadas no rótulo. O especial chegou na gôndola.
Pra quem já trocou aquele café com cor de petróleo por um especial, é um caminho sem volta. Seu paladar muda e você nunca mais quer abaixar a régua.

As 12 melhores cafeterias do Brasil, segundo quem entende

Imagens: Lucca Cafés Especiais | Reprodução
O The South America's 100 Best Coffee Shops 2026 é a versão sul-americana de uma premiação mundial de cafeterias. A votação combina mais de 200 jurados do setor (70% do peso) com voto popular (30%), avaliando qualidade do café, barista, atendimento, ambiente e consistência. O Brasil colocou 12 casas na lista, em oito estados.
Cafeterias brasileiras no top-100 da América do Sul
☕ 4º Lucca Cafés Especiais, Curitiba (PR): desde 2002, foi uma das primeiras do país a torrar o próprio café e selecionar grãos de origem única. Seleciona mais de 50 microlotes por ano.
☕ 13º RDV Roasters, Maceió (AL): nasceu como microtorrefação e escola de café.
☕ 14º Do Coado ao Espresso, Salvador (BA): torrefação, curadoria, educação e gastronomia no mesmo espaço.
☕ 17º Elisa Café e Torrefação, Belo Horizonte (MG): três unidades em BH e uma em Ribeirão Preto, com torra em pequenos lotes.
☕ 22º King Experience, Goiânia (GO): cafeteria e escola de café desde 2005.
☕ 33º William & Sons Coffee Co., Porto Alegre (RS): torra própria com o nome de cada produtor na embalagem.
☕ 36º Abuela Torrefação & Café, Porto Alegre (RS): ambiente minimalista e grãos torrados na casa.
☕ 49º Giotti Cafés Microtorrefação, Juiz de Fora (MG): torra em pequenos lotes pra destacar o trabalho por trás de cada grão.
☕ 57º Royalty Quality Coffee, Curitiba (PR): grãos de todo o Brasil, torrados na casa e servidos num ambiente acolhedor.
☕ 62º Coffee Five, Rio de Janeiro (RJ): no centro do Rio, também entrou no ranking mundial deste ano.
☕ 76º 15 Coffee Company, Sorocaba (SP): torrefação, escola e cafeteria.
☕ 89º Cupping Café, São Paulo (SP): na Vila Madalena desde 2017, com grãos de todo o Brasil, torra exclusiva e moagem na hora. A única da capital paulista na lista.
Esses foram os 12 brasileiros que apareceram na segunda edição da lista. No ano passado, quando foi criada, só apareceram 7 endereços do Brasil. As nossas cafeterias nunca estiveram tão em alta.

Cream cheese caseiro com apenas 3 ingredientes

Cream cheese de pote costuma vir com lista de ingredientes mais longa do que a gente gostaria. Essa versão pede só 3 ingredientes e uma única habilidade: paciência.
O resultado é uma pasta firme e cremosa. O sabor não é idêntico ao do original, mas cumpre bem o papel, principalmente em receitas e para passar na torrada.
Ingredientes:
🥛 500ml de iogurte grego
🍋 1 colher de sopa de suco de limão
🧂 1/4 de colher de chá de sal
Modo de preparo:
Em uma tigela, misture o iogurte grego, o suco de limão e o sal até ficar homogêneo;
Forre uma peneira com papel toalha;
Apoie a peneira sobre outra tigela, para o líquido escorrer;
Despeje o iogurte temperado sobre o papel toalha;
Leve à geladeira e deixe escorrendo por um dia;
Descarte o líquido que se acumulou na tigela e retire o cream cheese do papel;
Sirva com torradinha ou use em receitas no lugar do cream cheese.
💡 Dica: prefira um iogurte grego natural, sem açúcar, conferindo o rótulo antes de comprar. Na lista de ingredientes do que usamos vai só leite desnatado e fermentos lácteos.
Outras receitas que você vai gostar:

Dois gigantes do chocolate apostando no sem açúcar

Imagens: Kopenhagen e Cacau Show | Reprodução
Chocolate sem açúcar costumava ser coisa de marca pequena e artesanal. Agora, as duas maiores redes de chocolate do Brasil têm linha própria. E as duas resolveram o problema de jeitos diferentes.
Kopenhagen Soul Good
A Kopenhagen, fundada em 1928, lançou a Soul Good em 2019, depois de dois anos de pesquisa e cerca de R$ 5 milhões de investimento. O Tablete 70% Cacau tem lista curta: pasta de cacau, manteiga de cacau, leite em pó sem lactose e xilitol. Sem aromatizante nem corante. É zero adição de açúcares, zero lactose, sem glúten e fonte de fibras.
Cacau Show Bless
A Cacau Show, maior rede de chocolates finos do mundo, reformulou a linha Bless em setembro: toda a linha agora é zero açúcar e zero lactose numa fórmula só, com tabletes ao leite, branco e 70%, trufas e lançamentos de pistache e morango. O sabor surpreende, não tem gosto de adoçante e lembra chocolate tradicional.
O que olhar no rótulo
Os dois usam polióis, e aqui está a diferença. O xilitol da Kopenhagen tem impacto quase nulo na glicemia, mas em excesso causa gases, cólicas e diarreia. O maltitol da Cacau Show é o adoçante com maior impacto glicêmico dessa família. Sobe menos que o açúcar, mas sobe. "Zero açúcar" não é zero impacto.

Qual é o melhor pote pra armazenar comida?

Marmita esquecida no fundo da geladeira é um dos jeitos mais comuns de jogar comida fora. E a conta pode pesar: segundo relatório da ONU, as casas respondem por 60% de toda a comida desperdiçada no mundo.
No Brasil, são 94 kg por pessoa ao ano. O número vem de um estudo piloto no Rio de Janeiro e inclui cascas e ossos, mas mostra o tamanho do problema.
O pote hermético de vidro resolve duas coisas de uma vez: guarda melhor e dispensa o plástico nos preparos mais delicados.
Por que vidro
Primeiro, a vedação. Tampa que fecha de verdade reduz o contato com o ar e impede a mistura de cheiros na geladeira. E o vidro transparente deixa você ver o que sobrou, o que ajuda a lembrar de comer antes de estragar.
Segundo, o plástico. Revisões científicas apontam que alimentos ácidos ou gordurosos aceleram a migração de substâncias da embalagem, e o calor amplifica esse efeito.
Embora os potes plásticos para alimentos que seguem as normas da Anvisa sejam considerados seguros, por aqui, preferimos evitá-los. Se você também é desse time, a nossa recomendação é uma só: o pote hermético de vidro, com tampa de trava e anel de silicone.
Ele guarda molho, sopa e feijão sem vazar, vai na bolsa com a marmita e organiza a sobra na geladeira sem misturar cheiro. E vale comprar em kit, pra ficar mais barato.
Com cuidado, dura muitos anos, principalmente se higienizar a tampa bem. E não se esqueça de tirar a tampa antes de aquecer no micro-ondas.
Aqui vão duas opções, pra você clicar em qual achar melhor:

Arroz que sobrou: quanto tempo pode ficar fora da geladeira?

Foto: Le Creuset | Reprodução
O almoço acabou, a louça está na pia e a panela de arroz continua no fogão, esfriando "antes de guardar". Parece prudente, mas é justamente nesse intervalo que mora o risco.
O limite é de 2 horas em temperatura ambiente. A recomendação é que alimento perecível que passou desse tempo fora da geladeira seja descartado. Em dia muito quente, acima de 32°C, o prazo cai pra 1 hora.
Por que o arroz é um caso especial
O arroz cru pode trazer esporos da bactéria Bacillus cereus, e esses esporos sobrevivem ao cozimento. A panela quente elimina a bactéria ativa, mas não os esporos.
Quando o arroz esfria no balcão, ele atravessa a faixa entre 4°C e 60°C, em que as bactérias se multiplicam mais rápido. Nessa faixa, elas podem dobrar de número em 20 minutos.
Reaquecer não resolve: a toxina que a bactéria produz resiste ao calor, e o prato pode causar vômito ou diarreia poucas horas depois.
A ordem certa:
Separe o que sobrou logo após a refeição. Não deixe o arroz esfriando na panela nem na panela elétrica;
Divida em potes rasos e com tampa. Porções menores esfriam bem mais rápido;
Leve à geladeira idealmente em até 1 hora, e nunca depois de 2;
Consuma em até 1 dia e reaqueça uma única vez, até ficar fumegante por inteiro.
💡 Dica: se não vai comer no dia seguinte, congele em porções. E leve ao freezer em até 1 hora depois de cozido.

No universo da culinária e gastronomia saudável
🍜 A Nissin lançou o Cup Noodles Protein, com 16g de proteína por copo, e manteve o preparo de 3 minutos. A onda da proteína chegou até o miojo.
☕ A Melitta lançou um cappuccino em pó com proteína, com 10g de proteína, 73 calorias e zero adição de açúcares por sachê.
🍅 A Salsaretti lançou a primeira passata proteica do Brasil, com dois ingredientes: tomate e colágeno hidrolisado. São 55g de proteína no vidro de 680g.
⚖️ Um artigo do grupo de estudos em segurança alimentar da UFRJ associou insegurança alimentar à obesidade. Entre as mulheres, a chance é quase 3 vezes maior. Entre os homens, a relação não aparece.
🌱 A USP começou a maior pesquisa sobre veganismo e saúde já feita no Brasil. O estudo, apoiado pela Sociedade Vegetariana Brasileira, vai acompanhar 500 pessoas veganas e 500 onívoras por pelo menos dez anos pra comparar a saúde do coração e do metabolismo.
❤️ Cerca de 63% dos brasileiros mudaram os hábitos pensando na saúde do coração, segundo levantamento da Ipsos-Ipec. Alimentação mais saudável e exercícios físicos lideram as mudanças adotadas.
🍺 A Heineken acabou de lançar a Amstel 0.0 no Brasil: versão da cerveja puro malte sem álcool e sem glúten, com 59,5 calorias por lata. A marca quer abrir novas ocasiões de consumo pra quem bebe zero álcool.

O que você achou da edição de hoje?
Se quiser, depois de votar você pode deixar um comentário ou sugerir assuntos para as próximas edições. Adoramos saber sua opinião!
Mesa Trends
Somos o veículo de referência em culinária e gastronomia saudável que liga o que está acontecendo no mercado à sua mesa.
Porque culinária e gastronomia vão muito além do prato, e comer bem também é uma questão de informação.
Todas as quintas-feiras, às 07:00, na sua caixa de entrada.
Até semana que vem 👋